1.5) Ambiente Natural

Este item refere-se aos aspectos ambientais do município de Santa Maria, os quais envolvem clima, relevo, vegetação e solo.
No Sul do Brasil, possuindo em seu desenho a Serra do Mar, o verde do Pampa Gaúcho, e concentrando o maior reservatório de água do mundo, o Aquífero Guarany, o município de Santa Maria reúne vantagens geográficas e ambientais que são destaque para o seu desenvolvimento.
Santa Maria é um centro urbano dentro da hierarquia das localidades centrais que possui área de influência de capital regional. Suas funções se destacam na prestação de serviços, principalmente, e no comércio atacadista e varejista, contribuindo para o desenvolvimento dessas atividades as vias de circulação, a presença da ferrovia que liga o interior à capital, e ao norte do País, como também, as rodovias.

1.5.1) Quadro Resumo – Ambiente Natural

AMBIENTE NATURAL
As características do clima de Santa Maria são: Clima temperado, chuvoso e quente tipo Cfa.
Santa Maria situa-se numa zona de transição entre o Planalto Meridional Brasileiro e a Depressão Central do Rio Grande do Sul.
A região polarizada por Santa Maria é muito extensa e abrange porções do planalto, mais precisamente as áreas de campo, as pequenas áreas coloniais e parte da Depressão Central e da Campanha
Santa Maria faz parte de duas grandes bacias hidrográficas: a Bacia do Uruguai e a Bacia do Guaíba
Quadro 1.5.1 – Resumo – Ambiente Natural

1.5.2) Clima

De acordo com a classificação de Köppen (1989), o clima de Santa Maria situa-se na área de clima temperado, chuvoso e quente do tipo Cfa, no qual:
C – a temperatura média do mês mais frio, entre -3°C e 18°C, e a do mês mais quente superior a 10°C.
f – nenhuma estação seca, úmido todo ano.
a – verão quente, com temperatura média do mês mais quente superior a 22°C.
O clima é considerado do tipo mesotérmico brando, assim como a maior parte do estado, visto que as temperaturas não são tão baixas no inverno em relação a outras regiões de altitudes mais elevadas, a exemplo da Serra Gaúcha.
Quanto às características climatológicas, a Tabela 1.5.1 apresenta, detalhadamente, as normais climatológicas do município no período de 29 anos, de 1961-1990.

Tabela 1.5.1 - Normais climatológicas do município de Santa Maria – período 1961-1990
Santa Maria, RS JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ Ano
Temperatura Média (°C) 24,2 23,9 21,9 18,4 15,9 13,9 14,1 14,2 16,5 18,6 21,0 23,3 18,8
Temperatura Máxima (°C) 30,4 30,0 28,2 25,0 22,1 19,2 19,6 20,3 22,5 24,8 27,3 29,5 24,9
Temperatura Mínima (°C) 19,1 19,5 17,9 14,5 11,8 9,3 9,5 10,4 11,3 13,5 15,9 18,3 14,3
Pressão Atmosférica (hPa) 997,3 998,4 1000,2 1002,3 1003,4 1004,2 1005,1 1004,0 1003,4 1000,9 997,7 996,3 1001,1
Insolação (Horas) 225,2 196,7 184,9 168,7 151,3 125,0 133,1 141,4 160,7 206,8 223,3 244,7 2161,8
Evaporação (mm) 86,3 76,6 68,8 55,1 48,1 49,3 60,3 62,7 62,7 82,3 98,9 111,9 863,0
Nebulosidade (décimos) 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6
Umidade Relativa (%) 71,0 76,0 79,0 80,0 82,0 81,0 80,0 78,0 78,0 73,0 71,0 69,0 76,5
Precipitação (mm) 163,0 127,2 136,2 121,4 127,5 139,3 144,9 142,1 124,3 128,2 120,5 142,2 1616,8
Vento Intensidade (m/s) 2,93 2,89 2,51 2,18 2,17 2,64 2,91 2,91 3,12 3,30 3,18 3,08 2,82
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

A coluna “ano” refere-se á média dos 12 meses, com exceção do item Precipitação e Insolação, que é o total anual, ou seja, a soma dos 12 meses.
Após o detalhamento com as representatividades climáticas de Santa Maria nesse período, segue abaixo uma compilação da Tabela 1.5.2, apresentando o destaque para a média final da última coluna.

Tabela 1.5.2 - Climatologia de Santa Maria – Médias – Período de 1961 a 1990
Climatologia Média
Temperatura média 18,8°C
Temperatura máxima 24,9°C
Temperatura mínima 14,3°C
Pressão atmosférica 1001,1 hPa.
Índice de insolação 2161,8 horas
Evaporação 836 mm
Nebulosidade 0,6 décimos
Umidade relativa 76,5%.
Vento/intensidade 2,82 m/s
Precipitação 1616,8 mm
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

Segundo a estação do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) a climatologia do município de Santa Maria, referente ao período 1961-1990, apresenta como temperatura média 18,8°C. Enquanto a temperatura máxima foi de 24,9°C, a mínima foi de 14,3°C. A pressão atmosférica (que considera aspectos térmicos, estando diretamente relacionada a radiação solar e aos aquecimentos de massas de ar) apresenta o dado de 1001,1 hPa. O índice de insolação (calor proveniente da radiação solar) resultou em 2161,8 horas. A evaporação resultou em um índice de 836 mm. A nebulosidade (fração do céu coberta pelas nuvens) apresentou uma constância resultante em 0,6 décimos. A umidade relativa (relação entre a quantidade de água existente no ar e a quantidade máxima que poderia haver na mesma temperatura) apresentou um nível de 76,5%.
A precipitação (nível de chuvas) apresentou, segundo os dados apresentados na Tabela 6, um índice de 1616,8 mm. Quanto à sazonalidade dessas chuvas, segundo Sartori (1979) a concentração de chuvas no inverno dá-se de maneira mais homogênea, predominando as chuvas dos sistemas frontais, que são mais generalizadas e contínuas, enquanto no verão a chuva é concentrada em períodos, classificadas como pré-frontais, sendo, portanto, mais variáveis e descontínuas.
De acordo com a Tabela 6, o fator vento/intensidade resultou em 2,82 m/s em Santa Maria, sendo, portanto, bem distribuído ao longo do ano, confirmando a evidente presença dos ventos no município, apresentando regularidade por ser o vento Norte o portador das maiores intensidades médias. Segundo Sartori (1979) entre os elementos atmosféricos, o vento é destaque no município de Santa Maria. Inúmeras vezes ele é presente e acaba causando certa sensação de “desconforto” nos habitantes, principalmente nos dias pré-frontais quando se torna ou de grande intensidade ou de direções muito variáveis.
A percepção da população sobre os constantes ventos provocou o surgimento de expressões para denominar os dias de vento forte como “vento norte” ou “vento redondo”.
Situada no contato do Planalto com a Depressão Central, Santa Maria demonstra dualidade nas características de ventilação, possuindo velocidades variáveis (de leves a moderadas) com grande tendência ao registro de períodos de velocidades calmas. Somente em Santa Maria o vento norte adquire maior intensidade, motivado pela posição da cidade na base do Planalto, conforme aponta Sartori (1979).
Machado (1950) define o vento norte como “um vento da direção norte que sopra com grande velocidade, por 2 ou 3 dias, nalgumas localidades, assumindo particular violência em Santa Maria. Sua intensidade ultrapassa, em geral, 20m/s [...] sendo extremamente seco, provoca ascensões de temperatura”.
A topografia mais elevada da área urbana de Santa Maria, representada pelo Planalto e seus morros testemunhos, são responsáveis pela canalização dos ventos em direção à cidade. Somada à topografia do município, a orientação das ruas também favorece a entrada de ventilação na cidade.

1.5.3) Relevo

Segundo o macrozoneamento ambiental do Rio Grande do Sul, elaborado a partir de um cruzamento de dados que vai desde imagens de satélite, até comparação com mapas, foram identificadas 5 macrozonas (Planalto Meridional, Cuesta do Haedo, Depressão Central, Escudo Sul-rio-grandense e Planície Costeira) para o estado gaúcho, como pode-se observar no mapa da Figura 1.5.1.

Figura 1.5.1 - Macrozoneamento do estado do Rio Grande do Sul

Figura 1.5.1 – Macrozoneamento do estado do Rio Grande do Sul

De acordo com Pereira (1989), Santa Maria situa-se numa zona de transição entre o Planalto Meridional Brasileiro e a Depressão Central do Rio Grande do Sul. O Planalto (formado basicamente por rochas sedimentares, tem seu relevo levemente inclinado, sendo sua elevação de maior destaque a Serra Geral), uma zona agrícola de uso intensivo; e a Depressão Central, áreas de campos limpos e pastagens.
As grandes unidades classificatórias dessa zona de transição são: Topo do Planalto, Rebordo do Planalto, Coxilhas da Depressão Central e Planícies Aluviais da Depressão Central.
O Rebordo do Planalto configura-se numa área muito acidentada, apresentando-se como área de transição entre o Planalto e a Depressão Central do Rio Grande do Sul. O trabalho de erosão deu formas às montanhas e, onde o relevo residual resistiu a esta erosão, permaneceram os morros testemunhos isolados. É o caso dos morros testemunhos existentes em Santa Maria: o Mariano da Rocha, o Cerrito, o Cechela e o Santo Antão. Nesta unidade de paisagem, favorecida pela beleza natural de suas formas e o verde de suas matas, ainda conservadas pelo homem, tem-se, em Santa Maria, uma área de grande atração de lazer e de turismo.
As Coxilhas da Depressão Central se apresentam na área de estudo caracterizada por baixas altitudes, entre 80 e 130 m e declividades de 6 a 14%. Suas colinas, também chamadas de “coxilhas pampeanas”, caracterizam-se pela suavidade de suas formas contínuas, aliadas à extensa planície da Depressão Central. As formações no Município são: a Caturrita, Santa Maria e Rosário do Sul.
As Planícies Aluviais da Depressão Central constituiem-se basicamente de sedimentos recentes, depositados pela ação fluvial dos cursos d’água no seu leito maior. A origem desses materiais é do Planalto, e seu Rebordo é do Escudo Sul-rio-grandense. Deles nascem os principais rios que drenam esses compartimentos interligados com seus afluentes, os quais, na maioria, originam-se nas coxilhas da Depressão Central. Com considerável área de ocupação, os depósitos fluviais recentes são parte do leito maior dos rios Ibicuí-Mirim, Vacacaí-Mirim e o Vacacaí.

1.5.4) Vegetação

Segundo Keller (1968), a região polarizada por Santa Maria é muito extensa e abrange porções do planalto, mais precisamente as áreas de campo, as pequenas áreas coloniais e parte da Depressão Central e da Campanha. Atua, portanto, sobre espaços bastante heterogêneos.
A Mata Atlântica foi mapeada no Rio Grande do Sul pela Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental) e, posteriormente, em 1993, reconhecida pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como RBMA (Reserva da Biosfera da Mata Atlântica), juntamente com outros 13 estados brasileiros, possibilitando a incorporação de uma nova proposta de desenvolvimento para a região, com base na sustentabilidade ambiental, conforme consta no Plano Diretor do município.
Santa Maria, até então a margem dessa valorização, é considerada como uma cidade que detém o portal sul da Mata Atlântica e, portanto, pode ser considerada uma cidade atrativa de serviços e equipamentos para o ecoturismo.
Atualmente a Mata Atlântica existente no município de Santa Maria é reconhecida pela Unesco como Reserva da Biosfera, constituindo-se de uma grande biodiversidade, o que facilita a captação de recursos para potencializar a cultura e o consumo de produtos sustentáveis pela população do município.
Com base nessa perspectiva, constam no Plano Diretor do município programas para implementação da política municipal de manejo sustentável da área de influência da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Entre esses se pode citar o Programa de Desenvolvimento Agroflorestal, Programa de Desenvolvimento Ecoturístico e Programa de Educação Ambiental.
O Programa de Desenvolvimento Agroflorestal visa realizar uma prática voltada à produtividade econômica e a proteção da Mata Atlântica existente no município, enquanto o Programa de Desenvolvimento Ecoturístico preza por políticas voltadas ao desenvolvimento do Ecoturismo no município de Santa Maria e sua região de influência – municípios vizinhos, tendo por foco a RBMA e os Sítios Paleontológicos existentes. Já o Programa de Educação Ambiental pretende realizar uma política voltada à conscientização, conservação e proteção ambiental, incorporando a rede de ensino no desenvolvimento e implantação de projetos de educação ambiental, além de buscar desenvolver ações para motivar a população por meio de estímulo ao cultivo de espécies florestais nativas da região e a preservação dos cursos d’água, proporcionando, nestes locais, a criação de parques e implantação de tratamento de esgoto, a fim de minimizar a poluição dos mesmos.
Além da biodiversidade de sua vegetação, o município de Santa Maria é conhecido mundialmente por sediar uma área rica no campo da paleontologia e arqueologia. Além disso, outros municípios vizinhos, tais como São Pedro do Sul e Mata, também apresentam essas vantagens, sendo necessário buscar uma integração intermunicipal, estimulando o desenvolvimento da pesquisa, divulgação e preservação do patrimônio paleoarqueológico, bem como a busca por recursos econômicos destinados a implementação dos programas e projetos específicos, segundo Summer e Scherer (1999).
Os biomas são classificados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística como “conjunto de vida (vegetal e animal) constituído pelo agrupamento de tipos de vegetação contíguos e identificáveis em escala regional, com condições geoclimáticas similares e história compartilhada de mudanças, o que resulta em uma diversidade biológica própria.”
Pelo Mapa dos Biomas do Brasil, elaborado pelo IBGE e pelo Ministério do Meio Ambiente, o país possui 5 grandes biomas: Amazônia, Pantanal, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica e Pampa. O Rio Grande do Sul conta com dois desses biomas que compõe o mapa do Brasil: o do Pampa e o da Mata Atlântica, sendo este último definido pela vegetação florestal predominante e relevo diversificado, enquanto o bioma Pampa é restrito ao Rio Grande do Sul e se define por um conjunto de vegetação de campo em relevo de planície.
O município de Santa Maria, devido a sua localização, possui características desses dois biomas, como pode ser verificado no mapa da Figura 1.5.2.

Figura 1.5.2 - Biomas do Rio Grande do Sul

Figura 1.5.2 – Biomas do Rio Grande do Sul

A região de Santa Maria é ocupada pelos campos limpos e pela floresta subcaducifólia subtropical, esta última caracterizando a Serra Geral (SARTORI, 1979).
O centro da cidade, ocupando um ponto mais elevado, é um verdadeiro divisor d’águas que separa as mini-bacias do Rio Vacacaí-Mirim e do Arroio Cadena. O Arroio Cadena nasce no rebordo do Planalto com direção inicial norte-sul. Na vertente leste, a partir do divisor d’águas aparece o Rio Vacacaí-Mirim, que também nasce no Planalto. De maneira geral, segundo Sartori (1979), o quadro geológico de Santa Maria apresenta de oeste para sudeste a topografia mais aberta e plana, não proporcionando nenhum obstáculo à circulação atmosférica, o que não ocorre nos demais setores.
O quadro geourbano de Santa Maria, a partir do crescimento do município, é um tanto desordenado. A zona de maior densidade populacional possui um grande crescimento vertical de edificações de espaços físicos necessários, decorrentes de um mau planejamento e de uma concentração excessiva em certas áreas da cidade.

1.5.5) Solos

O território do RS é formado por três (3) grandes bacias hidrográficas: a Bacia do Uruguai, a bacia do Guaíba e a Bacia Litorânea. Santa Maria situa-se de modo que abrange as duas primeiras bacias, conforme as Figuras 1.5.3 e 1.5.4.

Figura 1.5.3 - Bacia Hidrográfica do Guaíba

Figura 1.5.3 – Bacia Hidrográfica do Guaíba

Figura 1.5.4 - Bacia Hidrográfica do Uruguai

Figura 1.5.4 – Bacia Hidrográfica do Uruguai

O uso do solo da Bacia do Uruguai, está vinculado principalmente às atividades agropecuárias e agroindustriais. Já a Bacia do Guaíba, apresenta áreas de grande concentração industrial e urbana, sendo a mais densamente povoada do Estado, além de sediar atividades diversificadas incluindo indústria, agropecuária e agroindústria, entre outras.
No Rio Grande do Sul a gestão dos recursos hídricos vem alcançando importantes avanços com a instalação dos Comitês de Gerenciamento de Bacias Hidrográficas. Santa Maria faz parte da lista desses comitês, cujo trabalho visa definir instrumentos de planejamento e gestão dos recursos hídricos, promovendo a sua recuperação e conservação.
Segundo Sartori, Maciel Filho & Menegotto (1978), o município apresenta rochas basálticas e os produtos de suas alterações provocam no solo de Santa Maria grande atuação de agentes erosivos. Conforme Bortoluzzi (1974), ao extremo sul da área urbana, desenvolvem-se grande número de “sangas”, que se tornam depósitos, principalmente após as chuvas, locais favoráveis a retiradas de fósseis.
Segundo os autores acima citados, a ação erosiva da drenagem foi um dos principais fatores responsáveis pela formação de vales e de morros testemunhos no município de Santa Maria, construindo a formação ambiental que hoje se conhece. Além das ações erosivas constatadas, Sartori e Gomes (1980) revelam que para a formação da Serra Geral, houve duas sequências vulcânicas.
Segundo Ab’Saber (1970) o município de Santa Maria compreende dois tipos de domínios que revelam características diferentes de solo: o domínio das araucárias, tendo decomposição de rochas, restrita em profundidade; e sob domínio das pradarias, o município compreende fraca decomposição de rochas e grandes banhados.
Castillero (1984) afirma que os solos do município caracterizam-se por serem muito diversificados. De forma geral, predominam os solos profundos com texturas arenosas e bem drenados. Outros tipos de solos se caracterizam pela textura média, má drenagem e mediana profundidade.